Ânsia

Há pequenas coisas que atiçam o amor
Que nos dão um grande desejo de amar
Uma enorme ânsia de sofrer...


Amantes

Vem!
Vem comigo
Cansados de Amor
Mergulhemos juntos na noite
no silêncio dos Amantes
Amor Amor Amor
Repete comigo
as palavras que nos dão paz...


®Pôesia do Mundo

A minha foto
Le Vésinet, Yvelines, France
É impossível não se dizer ( no mínimo de letras ) e, ao mesmo tempo, em que não se pode tudo dizer ( no máximo de palavras ). Falar demais: È escancarar detalhes insignificantes da vida doméstica. A minha vida sustenta-se no diário de algumas palavras: Trabalho, Respeito, Ternura, Amizade, Saudades, Amor. PEQUENOS VALORES Viver é acreditar no nascer e no pôr-do-sol É ter esperança de que o amanhã será sempre o melhor É renascer a cada dia É aprender a crescer a cada momento É acreditar no amor É inventar a própria vida... No decorrer desta vida, o prazer, a alegria, a tristeza,a dor, o amor, desfilam em nossa alma e em nosso coração deixando diferentes marcas. São essas marcas combinadas que formam a riqueza da nossa caminhada. Um caminho onde o mais importante não é chegar e sim caminhar. Valorize todos os detalhes, todas as subidas e descidas, as pedras, as curvas, o silêncio, a brisa e as montanhas deste seu caminho, para que você possa dizer de cabeça erguida, no futuro: Cresci Chorei Sorri Caí Levantei Aprendi Amei Fui Amado Perdi Venci Vivi E, principalmente, sou uma pessoa feliz!




quarta-feira, 28 de julho de 2010

A Felicidade



A Felicidade



A Felicidade.

Era bello esse tempo da vida,
Em que esta harpa falava de amores:

Era bello quando o estro accendiam
Em minha alma da guerra os terrores.

Nesse tempo o balouço das vagas
Me era grato, qual berço da infancia;

E o sibillo da bala harmonia
Semelhante á de flauta em distancia.

Eu corri pelos campos da gloria,
D'entre o sangue colhendo uma palma,
Para um dia a depor aos pés dessa
Que reinou largo tempo nesta alma.

Mas qual ha coração de donzella,
Que responda a um suspiro de amor,
Quando vibra nas cordas sonoras
Do alaúde de pobre cantor?

Triste o dom do poeta!

No seio

Tem volcão que as entranhas lhe accende;

E a mulher que vestiu de seus sonhos
Nem sequer um olhar lhe compr'hende!

E trahido, e passado de angustias,
Ao amor este peito cerrara,
E, quebrada, no tronco do cedro
A minha harpa infeliz pendurara.

Um véu negro cubriu-me a existencia,
Que gelada, que inutil corria;

Meu engenho tornou-se um mysterio
Que ninguem neste mundo entendia.

E embrenhei-me por entre os deleites;

Mas tocando-o, fugia-me o goso;

Se o colhia, durava um momento;

Após vinha o remorso amargoso.

Esqueci-me do Deus que adorara;

O prestigio da gloria passou;

E a minha alma, vazia de affectos,
No limiar do porvir se assentou:

Meus pulmões arquejaram com ancia,
Buscando ar na amplidão do futuro,
E sómente encontraram, por trévas,
De sepulchros um halito impuro.

Mas, emfim, eu te achei, meu consolo;

Eu te achei, oh milagre de amor!

Outra vez vibrará um suspiro
No alaúde do pobre cantor.

Eras tu, eras tu que eu sonhava;

Eras tu quem eu já adorei,
Quando aos pés de mulher enganosa
Meu alento em canções derramei.

Se na terra este amor de poeta
Coração ha que o possa pagar,
Serás tu, virgem pura dos campos,
Quem virá a minha harpa acordar

Como a luz duvidosa da tarde,
Quando o sol leva ao mar mais um dia,
Reverbera poesia e saudade
Na alma immensa de um rei da harmonia;

Tal poesia e saudade em torrentes
No teu meigo sorrir eu aspiro,
E no olhar que me lanças a furto,
E no encanto de um mudo suspiro,

Para mim és tu hoje o universo:

Soa em vão o bulicio do mundo;

Que este existe sómente onde existes:

Tudo o mais é um ermo profundo.

No silencio do amor, da ventura,
Adorando-te, oh filha dos céus,
Eu direi ao Senhor:―tu m'a déste:

Em ti creio por ella, oh meu Deus!



Alexandre Herculano

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