
Aspiração
Aspiração
Meus dias vão correndo vagarosos,
Sem prazer e sem dor parece
Que o foco interior já desfalece
E vacila com raios duvidosos.
É bela a vida e os anos são formosos,
E nunca ao peito amante o amor falece...
Mas, se a beleza aqui nos aparece,
Logo outra lembra de mais puros gozos.
Minha alma.
Ò Deus!
A outros céus aspira:
Se um momento a prendeu mortal beleza,
É pela eterna pátria que suspira...
Porém, do pressentir dá-ma a certeza,
Dá-ma!
E sereno, embora a dor me fira,
Eu sempre bendirei esta tristeza!
Antero de Quental


3 comentários:
Olá!
Gosto muito de passar por aqui...é sempre tudo tão lindo!
Bjss
Antero de Quental. Grande poeta português e um dos maiores pensadores da sua época. Bela escolha António.
Abraços,
Furtado.
Boa noite meu querido amigo.
Lindo poema...meus dias tbm andam sem foco...nem prazer, nem dor.,,indo apenas!
Um beijo na tua alma.
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