
Aves sem pouso
Percorro o território do teu corpo.
È um ninho, um pouso busca a boca cega
salivando saliências e reentrâncias
que dás e negas, tão cheia de graça.
E és tão cheia de ninhos, só que pairas
em páramos que esboças pelo teto
quando descerro as portas que me trancam.
O coração, e o coração já voa
também por outros páramos, por onde
como soltos no espaço nós soltamos
essas aves que em vão buscam um pouso.
Afonso Félix de Sousa


1 comentário:
E és tão cheia de ninhos, só que pairas/ em páramos que esboças pelo teto/ quando descerro as portas que me trancam.
É amigo, geralmente o descerrar das portas, causa esse tipo de reação, pois queiramos ou não, levam-nos a campos desertos.
Belo poema. Ótima escolha.
Abraços e uma excelente semana com muita paz.
Furtado.
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