
Ao coração que sofre
Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo,
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza,
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
Olavo Bilac


2 comentários:
Olá António Manuel
Parabéns pela escolha deste belíssimo poema de Olavo Bilac.
É sempre um prazer aqui vir e ler a boa "Poesia do Mundo".
Beijinhos desde Lisboa
Escolher entre o presente e o ausente, lógico, a escolha recai sobre o presente. Mas, na falta da presença, a ausência ainda é um grande lenitivo, pois valem as boas lembranças. Lindo António! valeu pela escolha. Grande Olavo Bilac.
Abração amigo e muita paz.
Furtado.
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