Ânsia

Há pequenas coisas que atiçam o amor
Que nos dão um grande desejo de amar
Uma enorme ânsia de sofrer...


Amantes

Vem!
Vem comigo
Cansados de Amor
Mergulhemos juntos na noite
no silêncio dos Amantes
Amor Amor Amor
Repete comigo
as palavras que nos dão paz...


®Pôesia do Mundo

A minha foto
Le Vésinet, Yvelines, France
É impossível não se dizer ( no mínimo de letras ) e, ao mesmo tempo, em que não se pode tudo dizer ( no máximo de palavras ). Falar demais: È escancarar detalhes insignificantes da vida doméstica. A minha vida sustenta-se no diário de algumas palavras: Trabalho, Respeito, Ternura, Amizade, Saudades, Amor. PEQUENOS VALORES Viver é acreditar no nascer e no pôr-do-sol É ter esperança de que o amanhã será sempre o melhor É renascer a cada dia É aprender a crescer a cada momento É acreditar no amor É inventar a própria vida... No decorrer desta vida, o prazer, a alegria, a tristeza,a dor, o amor, desfilam em nossa alma e em nosso coração deixando diferentes marcas. São essas marcas combinadas que formam a riqueza da nossa caminhada. Um caminho onde o mais importante não é chegar e sim caminhar. Valorize todos os detalhes, todas as subidas e descidas, as pedras, as curvas, o silêncio, a brisa e as montanhas deste seu caminho, para que você possa dizer de cabeça erguida, no futuro: Cresci Chorei Sorri Caí Levantei Aprendi Amei Fui Amado Perdi Venci Vivi E, principalmente, sou uma pessoa feliz!




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sábado, 30 de novembro de 2013

O Meu Impossível

O Meu Impossível
Minha alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!

Tudo é vago e incompleto!
E o que mais pesa
É nada ser perfeito.
É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão!
 Deus, que tristeza!...

Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!..
Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...

Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!... 
Florbela Espanca


Noite de saudade




Noite de saudade
 
 
 
A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a benção do luar
A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
é que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!
 
 
 
 



O teu olhar




O teu olhar


O teu olhar
Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas,
pendões ao vento sobranceiros.

Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente,
em brasa,
como beijos

Mares onde não cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros.

Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lanças nuas em rútilos lampejos;


Passam lendas e sonhos e milagres!

Passa a Índia,
a visão do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!

E ao sentir-se tão grande,
ao ver-te assim,

Amor,
julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!






Florbela Espanca

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Em ti o meu olhar fez-se alvorada



Em ti o meu olhar fez-se alvorada


Em ti o meu olhar
fez-se alvorada,

E a minha voz
fez-se gorgeio de ninho,

E a minha rubra
boca apaixonada.

Teve a frescura do linho...


Florbela Espanca

domingo, 27 de novembro de 2011

Da minha janela


Da minha janela



Mar alto!

Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito e murmurado.

Ovo de gaivotas,
leve,
imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas!

Sol!

Ave a tombar,
asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado.

Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim,
chorando,
mãos erguidas!

Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Como branco lilás que se desfaça!

Amor!

Teu coração trago-o no peito...

Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno,
assim,
nunca desfeito!...



Florbela Espanca

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior




Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...

É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...

É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!



Florbela Espanca

Desejos vãos


Desejos vãos


Desejos vãos
Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!

Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!

Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o mar também chora de tristeza...

As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!

E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!

E as pedras...

Essas...

Pisa-as toda a gente!...



Florbela Espanca
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