Ânsia

Há pequenas coisas que atiçam o amor
Que nos dão um grande desejo de amar
Uma enorme ânsia de sofrer...


Amantes

Vem!
Vem comigo
Cansados de Amor
Mergulhemos juntos na noite
no silêncio dos Amantes
Amor Amor Amor
Repete comigo
as palavras que nos dão paz...


®Pôesia do Mundo

A minha foto
Le Vésinet, Yvelines, France
É impossível não se dizer ( no mínimo de letras ) e, ao mesmo tempo, em que não se pode tudo dizer ( no máximo de palavras ). Falar demais: È escancarar detalhes insignificantes da vida doméstica. A minha vida sustenta-se no diário de algumas palavras: Trabalho, Respeito, Ternura, Amizade, Saudades, Amor. PEQUENOS VALORES Viver é acreditar no nascer e no pôr-do-sol É ter esperança de que o amanhã será sempre o melhor É renascer a cada dia É aprender a crescer a cada momento É acreditar no amor É inventar a própria vida... No decorrer desta vida, o prazer, a alegria, a tristeza,a dor, o amor, desfilam em nossa alma e em nosso coração deixando diferentes marcas. São essas marcas combinadas que formam a riqueza da nossa caminhada. Um caminho onde o mais importante não é chegar e sim caminhar. Valorize todos os detalhes, todas as subidas e descidas, as pedras, as curvas, o silêncio, a brisa e as montanhas deste seu caminho, para que você possa dizer de cabeça erguida, no futuro: Cresci Chorei Sorri Caí Levantei Aprendi Amei Fui Amado Perdi Venci Vivi E, principalmente, sou uma pessoa feliz!




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quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Romanceiro




O Romanceiro



O Romanceiro

Vinte e quatro sóis
acesos no meu caminho
um grito coagulado
na fuga desperto
e debruçada nos meus olhos
caminhaste o filho da noite inteiro.

Vinte e quatro sóis
acesos dentro de mim
um grito assassinado no peito
deflorando o sono da fuga
nas imaturas distâncias
onde perdido deixei
o cântaro último da fé

Penetrando nos meus olhos
violentaste o aviso da proibida
entrada perambulando
como se fosse quarta-feira e colhendo
numa primavera de sonhos nos jardins
do que fui vinte e quatro sóis azuis
que sem saber p´ra você eu guardei

Na avenida de cantos
renasceste do meu peito no teu mundo
pisando as pedras do meu caminho
e lançaste o pregão ao vento :

Ele está renascido
estive lá dentro dele
e vi flores e prantos
e notas e dores e cantos
nos recantos escondidos
de não mostrar a ninguém
fui estranha em ruelas sem passado
conseguindo o norte encontrar
depois de caminhos tantos

Sim, eu sei, tu descobriste
o grito há tanto escondido

Nasci em tempo de festival
meu mundo incompreendido
tem notas que são espinhos
tem flores embrutecidas
rebentadas no meu peito
tem cantos são sentidos
que às vezes eu mesmo sinto
ter tão estranho nascido

Estranho, nasceste sim
estranho cantor eu sei
na estranheza do teu canto
existe um outro encanto
embora não saibas qual seja
é o encanto das flores mutiladas
na fronteira dos teus olhos
é a fuga dos teus lenços
num cais já vazio
é o grito acorrentado
no alagado do teu peito

O teu encanto é o gemido guardado
e nunca soluçado
nas tuas mãos de poeta!

Sim, eu sei, tu descobriste
o meu grito
de vinte e quatro sóis
amanhecidos no peito,
e sei que nos limites
do que sou
ou nas amarras do meu verso
como pomba artesã
na minha lira te encontro

Poeta, o meu nome é infortúnio
somos pó na mesma estrada
e nem assim nos encontramos
somos água de um só rio
que não corre o mesmo leito
no teu peito a esperança
é terra já amanhada
no meu corre a solidão
na roca do meu sonhar

Teu suspiro não assino
nem teu pranto faço meu
no tear da esperança
há um riso que se alcança
quando o linho dá um nó
há um vento que levanta
do passado o areal
e um sol que o sepulta
quando o fuso entristecido
faz da curva o seu caminho

A esperança rebentada no meu peito
poeta é uma flor desesperada,
traz no seio o escarlate
das visões de fome e guerra,
nas veias abertas o choro
de crianças abandonadas
das farpas que me protegem
emanam dores e gritos
não há roca nem esperança
p´ra quem vive de amanhar
choro, dor, lamento e pranto

Infortúnio, Infortúnio,
não há poço sem um fundo
nem túnel sem uma luz
a corda não é sempre
do enforcado o colar
nem a semente fenece
sem antes dela brotar
o fruto, a flor e a sombra
e mesmo nas mãos vermelhas
das abelhas lívidas
há um néctar
de esperança a ser sugado

Poeta!

Sonhas e deliras quando esperanças alardeia
desespero é o cavalo ao qual me encilhei
as abelhas de que falas aninhadas se encontram
no ventre das minhas aranhas minhas
flores enlouquecidas giram
ao redor de um fuso sem linha no meu tear

Donde vens Infortúnio!
onde as sombras
que te abrigam

Venho de longe e de perto
do tempo sou viajante
nas canaletas da dor
fui Sabra, Chatilla,
Treblinka, Sorbibor

Quem me viu Sabra conhece o
amontoado das minhas fugas
e a profundidade da angústia
revelada na aspereza dos meus
cactos mas sabia quanto
eu era terna e doce

Quem me conheceu Chatilla
sabia-me flor nascida em lodo,
de mãos desarmadas,
e vivendo como uma rosa
pelo espaço de uma manhã

Quando Sabra e Chatilla fui
tive os braços levantados
e os gestos inconclusos
e me vejo ainda nas flores
rebentadas no peito
daquelas mulheres

Não procures Poeta o insondável
com teu verso desvendar somos
do mesmo caminho as pedras
e nem assim nos conhecemos
somos da mesma luz a cor
e nem assim tu me iluminas

Infortúnio, Infortúnio!
há mil anos nossas palavras
são sussurradas e encalacradas ao peito
sem ouvidos a ouvi-las e dizer que a tua
voz me é conhecida como a serra que me
teve em berço, e dizer que sei teu nome
embora de Infortúnio não a chamasse
nos meus sonhos, rota e triste
te chamava Liberdade... Liberdade

Morto o tempo Poeta em que Liberdade
fui chamada, antes aurora brilhante
houve vácuo, mais nada,
daquela imagem altiva a sombra se apagou
nem o eco, da solidão o amante,
guardou os meus passos, na poeira desandados

Infortúnio ou Liberdade
em dor também me vi envolto
passou como um vendaval
destruiu, arrancou,
renasci sem o riso
insensível ao pranto
e, com uma estrela
incrustada no peito
me fiz poeta do esquecimento

Como a fênix
das cinzas renascida
esbocei levantar-me do desespero
tentando esquecer as mãos que se estenderam
para apagar as minhas estrelas

As minhas asas dilatadas
se enfunavam de sonho e fantasia
e no alto do meu horizonte
um rosto vagava, diluído

Eras tu Liberdade, a pomba órfã
voluntária e sozinha voando
contra o Levante, as esquecidas asas
não voavam em meu caminho e o vento,
meu irmão, aprendeu a criar sombras e
nuvens de não ver

E eu que queria uma luz acender
no ventre das estrelas
enlouquecidas de sombras
contentei-me em apagar a chama
que por meu nome o peito ardia

Cimentada nos meus passos
trago viva a esperança
de no galope azul do vento
nos quatro cantos do mundo
o meu nome ecoar.

Invadindo os teus olhos
percebi a antiga chama
e no gemido guardado e nunca
soluçado nas tuas mãos
de poeta aninho a esperança
de brilhar a minha luz

Sim, eu sei, tu descobriste
o meu grito de vinte e quatro sóis
amanhecidos no peito





José Carlos Souza Santos

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cavalgada I


Cavalgada I



Ontem
te encontrei
nas minhas veredas anfíbias
de encantos e descaminhos
e de relance

Vi o rosto
de trezentas rosas morenas
brincando de recordar

Foi fugaz e relancino
o tempo meu inimigo
escondeu-a numa curva

E por mais que galopasse
a crina azul do meu cavalo
a distância ciumenta me roubava de você

Mandei dizer pelo vento
velho companheiro
de brincar nos teus cabelos

Te espero na guirlanda do meu verso
vamos cobrar do tempo
o saldo que ele nos deve

Vamos no verde do musgo
brincar de cama macia
e o canto dos meus galos

Em quatro corpetes cingidos
farão círios e dosséis
na roca do meu tear.



José Carlos Souza Santos

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Desespero do Amante


O Desespero do Amante


Onde andará
quem um dia o meu passo transformou
e sutil e silenciosa e envolvente
acorrentada manteve-me a esperança

Nas insubmissas falanges do peito
em toda parte te busquei

Fiz-me do vento,
das areias molhadas das praias,
dos clarões de lua que te viram nua,
dos raios de sol que te beijaram o dorso,
inimigos declarados porque cúmplices na tua fuga

De nada valeram as minhas dragonas
na tua busca nem o rútilo da espada
tantas vezes entre os dosséis
desembainhada amedrontaram o tempo
que implacável te esconde e alcovita

Maldito para sempre
o tempo que em nós passou
qual ave de rapina,
imensa,
erodiu o esvoaçar dos teus cabelos
transformou em ladeira abandonada
tuas curvas
antes precipício
onde o suicídio a cada instante eu cometia

Onde indescobertos ficaram
os altaneiros cimos de bicos acintosos
a desafiar a gravidade.

Onde o trigal às bordas do Vesúvio
em cinzas transformado

Onde a lassidão,
aquele sentimento enorme de morrer a dois
quando a maré entrechocada
confundia o sentimento e a razão

O tempo afugentou a sinuosidade do teu corpo
contido antes no leito de um vestido

Tempo,
tempo,
porque me obrigas
a ir buscá-la
montado na crina azul das minhas lembranças
se sabes a magia desfeita e desvanecido o encanto

Não te basta o sorver amargo
do veneno ensandecido
gota a gota
nos versos malditos
que cultivo

Arranque-a pedaço a pedaço
das minhas estrelas

Emudeça-me as mãos
petrifique-me a razão
faça-me calar no peito
a imagem que os meus galos madrugada
insistem envolver nos meus lençóis.



José Carlos Souza Santos

sábado, 10 de julho de 2010

As Canções de Amor


Poema VIII



Porque me sabe a boca
o teu gosto,
por dentro e fora
revelado,
em nuvens meus sentidos
se desfaz,
enquanto sacralizo o vinho
amanhecido na tua concha pérola

Porque te descobri me deixei ficar
nas tuas ilhas,
conquistado,
e me fiz pescador,
dos teus silêncios,
dos frêmitos esquecidos
no tremor da carne nua,
e porque me sabe a boca o teu gosto,
te faço um poema com o sabor da lava
escorrida no meu peito.

Sinto o grito do vulcão
em minha língua enternecido,
e o rio desaflito em plena noite derramado
nas correntezas do prazer e da poesia

Me toma,
conquistado por querer,
me leva,
e me perde no teu canto,
deixe que sepulte o meu inferno
e esqueça a ira dos mares navegados,
renasça em mim o brilho do anjo e do demônio
igualmente opostos na carne da mesma carne,
me faça em carneiro e lã,
ou musgo em cama macia,
me deite,
me nine,
ordene,
me ame,
me ame,
me ame.



José Carlos Souza Santos

As Canções de Amor


Poema VII



Tens no seio nu
o segredo das minhas algemas
e do incansável galopar do meu
corcel na busca embriagada do teu mel,

porque não me basta a memória
escrita do teu rosto,

nem me alcança as janelas abertas
onde derramamos nossa solidão,

e ainda que por mil anos
galope a crina azul do meu cavalo,

o meu segredo inatingível em tuas mãos,
escutará somente o arpejo de correntes,
desandadas em tua busca.



José Carlos Souza Santos

As Canções de Amor


Poema VI



Chove lá fora,
na minha janela
a chuva insiste em dizer
que por um momento,
me exilei de você

Caiu a linha,
lá fora é noite fria
e sem estrelas onde vê-la

Nesse instante
carrego a solidão do mundo

lembro do teu riso
ao dizer-me manco
e lembro do teu pranto
ao incomentar a renda preta

Ainda chove lá fora
pe é estranho...

Não somos os dois a sentir o frio.




José Carlos Souza Santos

As Canções de Amor


Poema V



O Recado

Estarei ausente da tua ceia,
mas deixo o pão em beijo transformado,
e mesmo que as minhas bússolas,
navegassem rotas,
encontrariam a sombra do
pessegueiro azul em teu corpo
refletido.

Dos astrolábios tantos
que nos guiaram os passos
de quilhas,
conveses e tombadilhos
que nos encheram os sonhos,
estarei na milenar memória das tuas
mãos na hora de cortares o pão,
e no cálice ausente,
de vinhos e ontens sorvido

Espera-me amor!

Abre a janela e me deixa ver refletida
a tua luz.

A estrela que me guia os passos
enlouquecida de sombras,
haverá de reconhecer o teu sinal
e o advento estará em nossas mãos,
lúdicas mãos,
de amanhãs tecida.



José Carlos Souza Santos

As Canções de Amor


Poema IV




À sombra do pessegueiro,
aconchegada no meu peito
em silêncio,
a solidão urdia o caminho
dos nossos passos nos mails tímidos,
travados na virtual estrada descoberta

Tomei para mim o teu ardor
de fome de ontens tecida,
tomei toda a febre das tuas dores,
tomei-a em júbilo até o apagar
das tuas cinzas,
de nomes esquecidas

Passo a passo ensaiei,
cingir em grilhões desesperança
e nos dividimos para sermos únicos



José Carlos Souza Santos

As Canções de Amor


Poema III



Porque te amo
me divido,
e em mim se multiplica
o que antes sem saber
subtraído me havia.

Do cântaro no peito ressecado
renasceu a flor que não morrera,
pois que estava em nós,
e não sabíamos
pois que nos lambera,
e não sentíamos.

O teu rosto desconhecido perpetua a chama,
que no peito ainda ardia.

Porque te amo louco me derramo,
corajoso e vasto entre as lavas
do teu vulcão em chamas,
e nos teus olhos me revejo
cálice,
âmbula,
patena e sacrário
inteira catedral de êxtase erguida

Nos teus braços
do cansaço me exilo,
ao longe numa curva do caminho,
vejo o meu retrato de ontens pendurado,
do riso frouxo que da boca se me expande,
o silêncio pleno de vidraças que se abrem.

Em tua boca,
gestamos nosso vinho no seio túmido,
a flor que embriaga,
em nosso gozo,
um poema de Hilda Hilst.



José Carlos Souza Santos

As Canções de Amor


Poema II




Em minhas mãos,
entregaste o corpo alvo e nu,

de incenso e mirra esquecido,
permitindo tatuar o vale
com a lava do vulcão
amanhecido juntos,

derramados os pudores em branda taça,
um torpor de vinhos nos cimos duros,

debruçado o grito em tua âncora,
meu espanto findo

Iniciando escrever o livro
transfiro em ti a minha força,

vinda do vermelho das ameixas
roxas,

quando teu corpo sobre o meu derramado,
calar a sede da serpente hirta.

Na página primeira escrita
à memória do milenar gozo

no alvo corpo a escorrida lava
desmente a aridez da futura estrada.




José Carlos Souza Santos

As Canções de Amor


As Canções de Amor



Poema I

Amor,
porque te consigo imaginar
o gosto da boca,

a força dos braços,
o calor do corpo,

porque te consigo imaginar
a luz do olhar

o pulsar do peito
o faminto desejo



José Carlos Souza Santos
IP