
Lira dos Vinte Anos
Quando, a primeira vez, da minha terra
Deixei as noites de amoroso encanto,
A minha doce amante suspirando
Volveu-me os olhos úmidos de pranto.
Um romance cantou de despedida,
Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
E deu-me o lenço que molhava o pranto.
Quantos anos, contudo, já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto...
Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto!
Álvares de Azevedo


1 comentário:
Antonio querido,
Este seu Blog está ficando belíssimo!!
Os Poemas, os Autores, as Imagens, tudo em harmonia e nos dizendo muito ao coração...
Estarei sempre aqui,
Beijos!
Em visita,
REGGINA MOON
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