
Em Meditação Introspectiva
Do fundo de meu ser, num arremesso
longo, parte uma voz turva e fremente.
Escuto-a já bramir, quando, em começo,
balbuciava uma prece, lentamente.
Acendo o lume da Razão, e desço
às cavernas profundas do Inconsciente.
A luz vacila e fuma; eu estremeço,
vendo só treva acumulada em frente.
Clamo, interrogo... Em vão. Silêncio em tudo.
Aos poucos, num luar distante, agora,
rondam vultos de sonho e de pecado.
E aflita, o colo branco a arfar desnudo,
uma princesa acorrentada chora
junto a um fosco antropóide acorrentado.
Amadeu Amaral


1 comentário:
Já acompanho seu Blog por um tempo, até porque podemos ver poetas famosos, outros atuais e outros que apesar de muitos desconhecerem deixam pérolas como Amadeo Amaral, e não posso deixar de falar do bom gosto nas imagens e no design.
Abraços!
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