
Êxtase
Êxtase
Esperei por ti neste último poema:
tu chegas em fuga, ai, sem ruído e voz
(não temos voz) e através da água dos nossos olhos
olhamos um os olhos do outro (quanto vemos, amor!)
e, oh Cristo, basta!
Agora desço por teu rosto,
pois sigo na lágrima tua e quando encostas
o ouvido no meu peito, ouves o tropel nervoso
do meu cavalo louco nos caminhos do fim.
Por aqui ninguém vai, amor: eu vou sem voz
e é meu olhar que ecoa, não minha voz.
(E eu quero voz?)
Ela ficou em ti, no teu silêncio
e na tua lágrima vou morrer na angústia dos trovões
calados e com todas as neuroses da alma dos relâmpagos.
Teu pranto é mudo quando morro e nele viajo
com minha morte.
Desci por teu rosto e terminei
bem entre teus seios: se na tua lágrima segui
é porque meu último desejo foi estar aqui.
Minhas mãos não acenam (morrem na posse)
ocupadas pela última colheita.
Cid Sabóia de Carvalho


2 comentários:
Olá amigo
Maravilhoso este poema, terno e sensual. Cada palavra, cada verso conjugam-se na perfeição para produzirem este "Êxtase" inebriante!...
A imagem e a música também foram muito bem escolhidas para acompanhar a leitura deste lindo poema.
Beijinhos
Estou aki, vim me deliciar com essas lindas poesias de sensualidade.Belíssimas!!
Um carinho especial meu pra ti.
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