
O Lago
Mulher, és como um lago em flor, que se ilumina
Ao sol, e como a flor abre o seio esplendente;
Eu me banhava em ti desassombradamente,
Água, flor da manhã, branca flor da campina.
Dos pássaros em torno a canção matutina
Fazia rir de gozo e arfar de amor o ambiente;
Cantava pelo espaço a primavera olente,
Cantava a aura do céu, cantava a luz divina.
Mármore unido, que veia azul brando apenas,
Parecias ouvir, cismando, as cantilenas,
Que enchiam toda a veiga, abrasada de aurora.
O! lago, eu me banhava em ti; mas de improviso
Fui ao fundo, e no fundo achei o paraíso:
E onde o paraíso está, eu sei agora...
Luís Delfino


2 comentários:
Parabéns!
Lindo blog, belíssima escolha de textos, poesia e exposição de sentimentos em palavras e figuras.
Mais um belo texto de um poeta que não conhecia, deixei meu comentário nesta poesia pois achei a mais bela dos textos postados deste autor.
Antônio, sinta-se em casa nos meus blogs, é um prazer ter uma pessoa de bom gosto os visitando.
Abraços!
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