
O mar é longe,
mas somos nós o vento;
O mar é longe,
mas somos nós o vento;
e a lembrança que tira,
até ser ele,
é doutro e mesmo,
é ar da tua boca,
onde o silêncio pasce e a noite aceita.
Donde estás,
que névoa me perturba,
mais que não ver os olhos da manhã
com que tu mesma a vês e te convém?
Cabelos,
dedos,
sal e a longa pele,
onde se escondem a tua vida os dá;
e é com mãos solenes,
fugitivas,
que te recolho viva e me concedo
a hora em que as ondas se confundem
e nada é necessário ao pé do mar.
Pedro Tamen


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