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A carícia perdida
A carícia perdida
Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos...
No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida,
quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega.
Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará...
Andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena.
Que te toma e te deixa,
que te engana e se vai.
Se não vês essa mão,
nem essa boca que beija.
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar.
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?
Alfonsina Storni
2 comentários:
Amei sua poesia, como todas, muito bela...
Bjs
Mila
Excelente poema, profundo.
Gostei muito.
Um forte abraço.
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